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dezembro 19, 2003
Entalado 1

Avenida da República, 99
Nos anos 30 um decreto municipal obrigava os construtores de edifícios novos em Lisboa a investir X % do valor total de construção numa obra de arte que fizesse porte integrante do imóvel. Era ideia da Câmara Municipal que os arquitectos trabalhassem conjuntamente com os artistas com vista a integrar a dita obra de arte no projecto arquitectónico. Esta medida não foi bem aceite por parte dos arquitectos que a tomavam como uma ingerência no seu trabalho, por parte dos construtores também não visto ser um agravo ao preço final do edifício.
Um dos grandes opositores desta medida foi o arquitecto Francisco Keil do Amaral (arquitecto responsável pelos projectos do Parque de Monsanto, Parque Eduardo VII e Aeroporto de Lisboa) que depreciativamente chamou as esculturas “entalados”. O nome “entalados” surge por os trabalhos estarem normalmente inseridas numa estreita faixa horizontal entre a porta principal dos edifícios e as varandas do 1º andar. Os escultores escolhidos (embora haja muitas excepções), eram artistas recém saídos das Belas Artes que ,embora sem grandes rasgos criativos ou grande qualidade plástica, faziam o seu trabalho por muito pouco dinheiro.
O decreto municipal continua ainda em vigor mas não é infelizmente aplicado. A partir de hoje vou passar a inserir neste blog os “entalados” que for encontrando.
NOTA: Andei a pesquisar e a tentar recolher informação sobre este tema mas as pesquisas foram infrutíferas. O que escrevi é informação que foi recolhendo verbalmente, juntamente com o que retive de uma peça jornalística que li na revista DNA do Diário de Notícias há uns anos atrás.
Há fortes possibilidades de haver imprecisões e agradeço a quem tiver alguma informação sobre este tema que me comunique. Obrigado.
Publicado por amnésia
Comentários
Acho uma bela ideia! Happy hunting!
Estive em Buenos Aires e mencionei a um amigo argentino as belas portadas que fui encontrando espalhadas pela cidade. Ele disse-me que eram obra de canteiros portugueses emigrados na Argentina nos anos 30. Será que em Lisboa em muitos casos não terão sido canteiros a fazer esses trabalhos? Se calhar eram ainda mais baratos que os jovens artistas...
Um abraço.
Publicado por: mls em dezembro 19, 2003 05:12 PM
Dedicatória
" por falta de um inventor
perdeu-se um invento
por falta de um invento
perdeu-se um produto
por falta de um produto
perdeu-se uma empresa
por falta de uma empresa
perdeu-se uma fábrica
por falta de uma fábrica
perderam-se milhares de empregos
por falta de milhares de empregos
um país perdeu seu futuro
tudo por falta de um inventor"
autor anónimo
www.invento.web.pt
Publicado por: fernando nogueira gonçalves em dezembro 20, 2003 04:01 PM
Impressionante.. não fazia a minima ideia.. Bom trabalho. Go on
Publicado por: Alexandre em dezembro 20, 2003 04:09 PM
Impressionante as coisas que se aprendem nos blogs!
Continue....
Publicado por: vmar em dezembro 29, 2003 01:00 AM
Portugal está triste,... os portugueses andam tristes, o fado é triste …que me perdoem os fadistas mas, …não há por aí uma marcha?
Publicado por: fernando nogueira gonçalves em janeiro 16, 2004 03:09 PM
gostava de inventar...palavras
inventos são...versos
poemas que eu e tu lês
todos nós os consumimos
poucos recordam quem os fez
linhas, curvas, rabiscos
uma descrição a acompanhar
três anos para uma patente
montes de dinheiro a gastar.
fernando nogueira gonçalves www.invento.web.pt
Publicado por: fernando nogueira gonçalves em fevereiro 2, 2004 10:25 PM
também apanhei a paixão dos entalados atraves de uma reportagem, mas do suplemento lx metrópole do DN (nº 6 - março de 02). sempre que saio por lisboa, ando à cata de entalados...
ando a pensar em fazer um trabalho sobre os entaldos, e encontrei as tuas fotografias. muito boas.
Publicado por: susana em junho 23, 2004 10:16 PM
Há muito que venho reunindo informação sobre os chamados "entalados" e não concordo nada com o que diz sobre õ Arqt Keil do Amaral. A verdade é que ele não foi um dos "maiores oposicionistas" à colaboração entre arquitectos e artistas plásticos, antes pelo contrário, foi dos que mais pugnou pela colaboração efectiva entre "as 3 artes" como então se dizia. Foi dos arquitectos que mais se bateu pela aplicação daquela norma camarária. Era a forma de dar trabalho aos pintores e escultores que saíam da Escola de Belas Artes e cuja única saída profissional era serem professores do ensino técnico. Se apelidou de entalados os baixo-relevos escultóricos que em determinada altura proliferaram nas novas construções lisboetas foi por ironia crítica aos empreiteiros que não respeitavam o trabalho dos artistas plásticos atribuindo-lhes/impondo-lhes pequenas nesgas espaciais, na maior parte dos casos sem condições para um trabalho condigno. Eram assim limitados na sua criatividade ... e a cidade ficou repleta de figuras "entaladas" por sobre as portas principais.
Já agora pode identificar-me a norma que diz ainda não ter sido revogada ? É uma informação que procuro há muito. Obrigada. Julia
Publicado por: Júlia Coutinho em janeiro 13, 2005 02:26 AM