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dezembro 04, 2003

a cena da rena com gangrena

Pintura e texto de Pedro Proença ( o texto é um excerto de PSICOMORFILUM / XANGAIADA CHIC-CHOC referente à letra V).

Pus-me a apalpar as «bacas» - eram uma cabeça - eram um porco espinho.

Vi: obecessivamente: voltei a ver: obececivamente: e porém: obsessivamente.

Quem batia Cloé nos pórticos da antescrita? Os simposiuns decorriam entre leitugas. Os veneráveis e simpáticos banqueiros recitavam Platão durante a missa e uma massa de ascetas contorcia-se no circo louvando Orfeu o Todo-Terreno e comendo requeijão com bife de porco (um ciclista malabarista despenhara-se: agora era apenas mais um pombo laranja cujo voo apodrecera; a morte é assim tão vertical).

A multidão mudara com o tempo e mudara o tempo com a multidão - cumpria-se a vontade: as vacas tinham que se sacrificar numa bacia de vinho (os equinócios aproximavam-se como comboios desvairados) enquanto adolescentes cortavam os testículos e os ofereciam à estrela da tarde (outra contorsionista que ousava povoar o além antes do Aléa).

A burocracia com espargos - era este o curioso título de uma fórmula que Hermes bem contrariava (ser tremendamente simiesco, repousar no estômago de um elefante, ser hipnotizado pelo corpo fulgurante de uma Boá). Essa fórmula confrontava-se, direi mesmo, degladiava-se, com os epitáfios em guerra de capoeira. Toda a santa tarde um sangue espesso e sujo cantava: chamavam-lhe a guerra.

Porém, entre os animais é o caranguejo o mais enigmático: aproxima-se dos jogos dionisíacos. Num terraço de papoilas e jasmim entre insectos mortíferos. Ele é um adivinho: aderindo intuitivamente ao eterno retorno (o desejado entre os desejados - a orla vã e o mar desfeito). Uma espécie de Deus Surdo.

Jogou os seus trunfos: fanática distração! Brilhou - esplendor de verde. Desejo separa espaço.

Pus-me a segurar-lhe as tetas com vontade. Delas saía um cheiro áspero e maternal. A pátria morria no estrume. O verão era. O crânio tremia como gelatina. Finalmente a guerra era crucial e o pensamento crucificante.

Que dizer mais: arf! Arf!

(a contradição de sermos entre o totem e o dólar)

- este texto é dedicado aos avestruzes dos países subdesenvolvidos e às vacas da Etiópia (camaradas de todo o mundo: uni-vos!)


PSICOMORFILUM / XANGAIADA CHIC-CHOC completo
aqui.

Publicado por amnésia

Comentários

Olha, simplesmente não temos comentários... jah que o Lucas aqui não pára de dar risada e não aguenta escrever eu estou aqui, entre lágrimas, dizendo que essa sua arte é horrível... pelo menos desenhasse um elefante com gangrena... é mais fácil...

Publicado por: Lucas e Aline em fevereiro 11, 2004 08:11 PM

AAAAahhhhhhh!!!!!!!!
Temos um comentário sim!!!
ARF ARF!!

Publicado por: Lucas e Aline em fevereiro 11, 2004 08:17 PM

Eu tenho a história do elefante com elefantíase na pata e trombose na tromba!!!

Publicado por: Leonardo em fevereiro 11, 2004 08:40 PM